16 de febrero de 2019

11 de febrero de 2019

BandNews FM: Ricardo Boechat - #RIPBoechat

Desabafo 1 - Grandes Jornalistas (com J maiúsculo) que de alguma forma me influenciaram: Paulo Francis, Ricardo Boechat e Mino Carta (e torço para que o Mino tenha muitos e muitos anos pela frente). 
Desabafo 2 - Há mais de 10 descobri a Band News. Virei fã de carteirinha. Mas com o tempo fiquei enfastiado. 
O Brasil passou por poucas e boas (e continua ainda na pior) e - do meu ponto de vista - Boechat e a Band não se posicionaram claramente contra muita estupidez e injustiça. E a gota d'água foi ver o Boechat na TV, lendo um editorial da Band ao vivo, defendendo o ponto de vista do grande empresariado, quer dizer, dos famigerados patrões. 
Parei de ouvir a BandNews. Deixei de ver o telejornal (todas as emissoras sem exceção) e continuei com a vida. 
Gostar de alguém traz certos compromissos que se sobrepõem muitas vezes ao interesse coletivo. E por mais que o Boechat tenha sido um excelente jornalista e ótima pessoa, a indignação seletiva dele, a defesa do voto nulo, a pegação no pé da Dilma, Lula e o PT - em momentos críticos da política nacional - me levaram a não gostar mais. 
E mesmo que a minha importância no cenário mundial seja ínfima, penso que não compactuar, manter os princípios e deixar de ouvir, ler e ver certos veículos de comunicação é mais do que um direito - é uma obrigação.


Cansado de ouvir a CBN toda manhã? 
Cansado da equipe soturna e mal-dormida de Heródoto Barbeiro e Cia? 
Cansado dos comentários pró-Serra e anti-Lula? Então mude o dial para 96,9 e ouça a BandNews FM. O bom jornalismo feito por uma equipe divertida e dinâmica.
Publicado originalmente em 07/11/08.

9 de febrero de 2019

Marvel’s The Punisher: Season 2 | Netflix - Caçadores de Tesouros



Por baixo de toda a violência, sangue, tiros e assassinatos há o subtexto de como lidar com veteranos e mais veteranos das inúmeras guerras onde os EUA se enfia. Do retorno para casa, dos traumas e feridas, do abandono, dos suicídios e estupidez da sociedade.

VICE (2018)

Filme estupidamente bem feito e que todo bolsominion deveria obrigatoriamente assistir.

27 de enero de 2019

Olavo de Carvalho, o cinéfilo (da época em que debatia pela internet)

Olavo de Carvalho, o cinéfilo.

por Amálgama (16/06/2009)


Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de filosofia. Escreve para diversos jornais e é fundador e editor-chefe de um site chamado Mídia sem Máscara. Mas não quero me alongar no quesito biografia, pois na net há uma página dedicada a isso. Acredito que seja um filósofo conceituado, e longe de mim querer discutir filosofia ou algo parecido (logo eu que achava a Caverna de Platão um desenho animado).

O quê me trouxe aqui foi um texto que ele escreveu na última sexta com o seguinte título “Obra-prima de vigarice“. Nele, o nosso ilustre literalmente bota fogo (desculpem o trocadilho) no filme Queimada, de Gillo Pontecorvo. Faz uma análise severa e crítica e descobre que, no fundo, o dito cujo é apenas um instrumento de propaganda marxista-comunista, e dentro de um contexto mais amplo detona também com (de acordo com ele) o segundo Neo-Realismo italiano.
É sempre bom tomar conhecimento daquilo que pensam os intelectuais conservadores. Afinal, para quem não sabe ainda, o site Mídia sem Máscara seria aproximadamente a antítese do site Vermelho do PC do B. E Olavo de Carvalho está mais à direita que o próprio PFL (hoje DEM) e Cia.
Mas vamos àquilo que interessa. Li o texto sobre o filme e constatei que certos profissionais não deveriam nem tentar dar palpite fora da sua área de atuação. Com raríssimas exceções, só sai bobagem.
Queimada não é um instrumento de propaganda e muito menos uma “verdadeira aula de interpretação marxista da história”. Creio eu que assim como há paranoicos na esquerda também os há à direita. Imaginar que tudo aquilo que não reza pela cartilha do capitalismo é vigarice ou simples invencionice, é loucura total.
A obra de arte independe da sua qualidade, é produto individual e/ou coletivo que se adapta ou não às convenções da época. E se quebrar os paradigmas, melhor. E cinema é nada mais, nada menos: ilusão. Tentar defenestrar um filme por que o seu roteiro não faz qualquer sentido, seria o fim da arte, da licença poética. Hitchcock já disse tudo aqui.
Vejamos então em que se baseia o professor Olavo para caluniar o finado Gillo Pontecorvo (1919-2006). Primeiro, alega que escravos sozinhos não poderiam montar uma revolução social. Logo, o roteiro do filme é fantasioso e historicamente falho. Segundo, “destruir pelo fogo a matéria-prima, os meios de produção e a quase totalidade da mão de obra disponível” seria motivo de linchamento de quem por ventura tivesse ordenado tal ato extremo e brutal. Quer dizer, Queimada é uma “farsa idiota, postiça até o desespero, composta por um pseudo-intelectual de meia idade para a deleitação masturbatória de jovens aspirantes a pseudo-intelectuais”. E por último, faz uma apologia do capitalismo por subsidiar e aplaudir tantos filmes anticapitalistas etc e tal. Em outras palavras, o sistema é perfeito, haja visto que permite e incentiva a sua própria crítica.

Eis o erro de analisar um filme pelo viés ideológico. Você não usufrui da obra nem ela te dá prazer. Seria como falar mal do Encouraçado Potemkin por ser pura propaganda comunista e esquecer da sua fotografia, dos planos, da montagem. Seria como ir ao cinema em busca dos erros de continuidade, dos furos no roteiro, da falta verossimilhança. 
Queimada é um excelente filme, não por ser de esquerda, e sim por nos provocar, nos instigar a tomar partido, nos causar emoções, nos fazer rir ou chorar. Ninguém saiu do cinema e virou marxista – afinal, como outro filósofo mais conceituado já escreveu antes: “Humor não é um estado de espírito, mas uma visão de mundo”. E se Pontecorvo achou por bem ser maniqueísta e esquemático, é problema dele. Se ele leu muito Gramsci e achou correto falar mal das elites, azar do processo criativo.
Afinal, aí que redondamente se equivoca o professor Olavo: os capitalistas, os donos do poder e do dinheiro estão pouco se lixando se o filme vai falar mal deles ou não. O que importa é o retorno financeiro, o lucro. Ledo engano de quem acha que um filme, por melhor que seja, vai insuflar as massar e derrubar o sistema. O capitalismo se retro-alimenta da sua própria crítica, banaliza seus detratores e se torna mais forte e lucrativo. O professor Olavo pode dormir tranquilo, pois nenhum escravo irá perturbar seu sono. As correntes que o escravo carrega fazem barulho, mas as armas das elites falam mais alto. E tomara Deus que ele não invente de falar de um filme anterior do Gillo Pontecorvo… ou será que A Batalha de Argel foi também uma farsa?https://www.revistaamalgama.com.br/06/2009/olavo-de-carvalho-o-cinefilo/

Return of the Hero / Le Retour du héros (2018)

Uma delícia de filme com a MélanieLaurent surprendente como atriz de comédia.