18 de febrero de 2017

O calor de 66 dias. #Carnaval (ou de Baladas e Sonhos Impossíveis)

Como esquecer aquele verão.
Definhando num calor infernal.
Sem chuva. Sem água.
Racionamento por dias intermináveis.
Sujo. Com sede.

Eis que o Carnaval acontece.
Pierrôs e Colombinas.
Descem a avenida.
Pessoas apinhadas.
Multidão exultante.
E vc surge.
Como Arlequim desorientado.
Com plumas e paetês nos lugares errados.
De biquinho, naquele corpo imenso.

Sei. Você veio me ver.
Mas não tenho mais vontade.
Quero fugir.
Viver apenas do passado.
Me deixa. 
Esquece, o que eu falei.
O email, a mensagem de voz.
A declaração de amor.

Hoje, é sábado.
Dá pra quem vc quiser.
Apaga a luz.
E lembra que o fácil dura pouco.
A chance acontece por segundos.
E se vc se perdeu no tempo.
Problema, seu.

O Lanterna abriu meia-noite
e começa a tocar "Não Chore Mais".
Resisto. Seguro ao máximo.
Procuro por alguém.
Não encontro.
Volto.
Medito.
E penso com meu botões.
Vc poderia ter sido 
o inferno
o calor que queima
a última fagulha
antes do cinza virar tudo.

Sonhos impossíveis.
Baladas diversas.
O álcool maldito
some com os neurônios.
A alma.









Johnny Hooker - Alma Sebosa



De amores impossíveis...

#Carnaval em desespero (sete anos depois).



Pensei em me masturbar, mas acabei esquecendo. Tal o meu estado de espírito. Pensei na possibilidade de voltar ao passado e reviver o meu primeiro carnaval, mas as lembranças são vagas e misturam-se a outros carnavais, a fatos talvez apócrifos, a fantasias diversas e sonhos invertidos. Quem poderá garantir que aquele beijo proibido no Tênis Clube foi verdadeiro? Ou que a viagem a São Sebastião teve um final feliz? São tudo divagações. Enfim, o Carnaval é algo que me traz solidão por incrível que pareça. Cidade vazia, São Paulo abandonada. Sol e calor de terceiro mundo. Poesia que teima em terminar (já escrevi isso antes). Lembro de uma tentativa desesperada de encontrar os meus amigos no Carnaval de Santa Maria. Lembro de ter me vestido de branco e assistido ao desfile na Avenida Medianeira. E tomado de coragem convidei a uma colega de faculdade a sair comigo no dia seguinte. Foi ou parece que foi terrível. Bebi tanto que tiveram que me carregar até em casa. Longe muito longe. E o carnaval que passei fora do Brasil? Cadê a alegria contagiosa, o som dos tamborins? Escrevo, escrevo porque me acalma, mesmo que as palavras mintam. Mentiroso eu? Não cabe a mim julgar nem esperar perdão. Deleto tudo e apago falsas impressões.
Sim, te vi vestida como se fosse um baile dos anos 50 na tu webcam. E apesar de estar longe, teimo em dizer que me tens por perto. Um e-mail. Sim, um e-mail e ofensas diversas irão me recompor. Ver um filme na tele me trará razão. E o desespero guardado a sete chaves irá sumir na noite de sábado, domingo, segunda, terça e quarta. Quarta-feira de cinzas, alegorias e despedidas. Uma mulher me faz um sinal obsceno. Olha, me vê e foge. Embarco no primeiro avião em Campinas. E a vejo chorar por trás do vidro. Sinto pena dela e escrevo num guardanapo: Volta! Vem viver outra vez ao meu lado...

11 de febrero de 2017

The Hours - Um filme de meninas...Meninas fortes.



Laura Brown: It would be wonderful to say you regretted it. It would be easy. But what does it mean? What does it mean to regret when you have no choice? It's what you can bear. There it is. No one's going to forgive me. It was death. I chose life.

4 de febrero de 2017

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, 2016)



Como filme de guerra é sensacional. Mas quando trata da vida do herói na Virgínia natal, o filme derrapa. Cheira a Sessão da Tarde requentado.

I, Daniel Blake (2016 Movie)



Filme que deveria ter sessão obrigatória nos cinemas da periferia. Talvez assim, a plebe, os aposentados, a classe média baixa consiga acordar do seu comodismo social (anestesia coletiva) e sair às ruas para derrubar o despotismo. E no fim, tenhamos sangue na sarjeta (como diria Mino Carta).

23 de enero de 2017

La La Land (2016 Movie)



Depois de um início onde a câmera dá tantos rodopios que você fica com vontade de vomitar ou fazer algo pior - a história pra valer começa. 

Personagens em busca da realização de um sonho (opa! Eu já vi esse filme antes), tanto faz, se é ser atriz de sucesso ou dono de um Bar dedicado ao Jazz de raiz - tanto faz. O importante é bater de cara contra a parede mais de uma vez, ver-se frustrado, mas com dinheiro no bolso, ver-se magoada mas com o namorado bacana que nos chama à razão.

Tudo tem uma solução. Tudo dá certo no fim. Pobres daqueles milhões que também tentaram mas terminaram seus dias como atendentes de telemarketing. A culpa é deles que não foram fundo, que não continuaram tentando, que desistiram antes da hora. 

Mas como pedir algo mais realista para Hollywood? 
Se é para saber como somos fracassados e que nada tem solução - não há necessidade de ir ao cinema. Bastaria visitar qualquer viaduto em noite de chuva. 


Enfim, o filme - apesar de todo esse escapismo e fantasia - é bom. Muito bom.

E falo pela forma como a história é contada, pela forma que o diretor tece as diversas situações e procura finais alternativos. Pelo soco no estomago, pelo cruzado de direita de trazer à baila as consequências de nossas escolhas. E se eu tivesse dado aquele beijo, se tivesse saído para dançar com aquela menina e se...

Somos aquilo que escolhemos ser. E lamentações à parte, nos tornamos a cada dia mais adultos quando tomamos uma decisão, conscientes ou não, estupidamente ou não.


Bill: You're fired.

Sebastian: It's Christmas.

Bill: Yeah, I see the decorations. Good luck in the 

New Year.

18 de enero de 2017

Fleming - The Man Behind Bond



Um seriado enxuto, conciso (apenas 4 episódios). 

Feito com classe e delicadeza. Começo morno, 

mas que se torna ácido e adulto aos poucos. 

De espiões e amores impossíveis.

9 de enero de 2017

De olhares em desespero (Mulheres)

Vejo olhares.
Mulheres.
Desespero.
Fim de noite.
Nenhuma paquera.
Apenas Homens.
Que desejam.
Pensam.
Em corpos.
Em rostos.
Em curvas.

Elas.
Ficam de lado.
No escuro.
Jogando conversa fora.
Bebendo sozinhas.
As pouco agraciadas.
Que nasceram em berço.
Infeliz.

Sociedade.
De castas.
Não basta o dinheiro.
Precisa o nariz arrebitado.
As sobrancelhas perfeitas.
Seios.
Coxas.
Bunda.

A perfeição.

Sofro por elas.
Pedem ajuda.
Uma esmola.
Um  toque.
Uma palavra.
Uma troca.
Sentir-se amadas.
Por aquilo que são/fazem.

Fujo.
Embaixo da saia da minha mãe.
Sasha Grey me espera.

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