24 de agosto de 2010

Um girassol da cor de seu cabelo

Acordo logo cedo
com um "porque" pendurado
no meu pescoço, tal melancia alucinada.
Levanto e vejo
no espelho
mais um "porque"
pintado na minha testa, toda colorida.
Tento encontrar as razões e motivos
vasculho o seu silêncio insano
tento entender essa viagem maluca.
Maldita indiferença!
Prefiro o fingimento
prefiro ser odiado
e me perder, me perder
nos seus cabelos emaranhados
como uma pequena abelha,
como um girassol.

O "cofrinho" de Shakira

23 de agosto de 2010

Bienal do Livro

Rodeado de piralhos por todos os lados, visito mais uma edição da Bienal do Livro de São Paulo e por aquelas razões que só Freud explica, teimo em chama-la mais de uma vez de Feira do Livro. Talvez se deva ao fato de que lá no sul - região da qual meio que eu vim - cidade pequena não faça Bienal, faz apenas uma modesta Feira, quase sempre localizada na principal praça da cidade. Nada de Anhembi, Sambódromo, Centro de Exposições ou qualquer outro hiper espaço de eventos. Em se tratando de cidade do interior, as dimensões são minúsculas. Cinco ou seis barracas, normalmente da marca mais badalada de refrigerante. Iluminação improvisada. Mesas e cadeiras arranjadas às presas. E um sistema de som emprestado. Tudo de forma precária e amadora. Mas com uma imensa vontade de participar, de fazer acontecer, de manter uma tradição e obter lucro, se possível...
E lá se vão mais de 20 anos desde que saí do RS.

19 de agosto de 2010

Depois de um longo e tenebroso inverno

É bom estar de volta.
Deixei o meu blog de lado para me ater a outros afazeres e obrigações.
Mas o desejo de escrever, opinar, falar besteira e reclamar da vida , estava latente, aflito e quase em desespero.
E a vontade de assistir a "Medos Privados em Lugares Públicos" era antiga. Mas a falta de tempo, oportunidade e um certo preconceito em relação ao cinema francês, sempre adiaram tal possibilidade. A princípio fui ao Belas Artes para assistir "El secreto de sus ojos", porém o destino fez que a cópia apresentasse defeito. E lá fui eu, assistir a um filme que está há três anos em cartaz, ainda frustrado, ainda com um certo receio.
Creio que a figura emblemática do filme de Alain Resnais seja a personagem de Charlotte uma mistura de recepcionista, beata, enfermeira e stripper. Afinal não somos obrigados a assumir diversos papeis ao longo da nossa vida? Somos pais e filhos, rebeldes e acomodados, sábios e trogloditas. Tudo depende do contexto, das circunstâncias. Almejamos a coerência, a virtude, mas somos fracos e infelizes. Os cinco personagens, deixando de lado a Charlotte, não são diferentes, são imperfeitos e incompletos. Querem afeto e compreensão. Querem ser ouvidos, receber conselhos e obterem prazer. Querem confessar os pecados e serem perdoados. Sem esquecer o sétimo personagem, o pai do barman, idoso e doente, que além de infeliz é incapaz de mudar a sua condição, de movimentar-se, de andar, de sair e enfrentar a tempestade de neve, reagindo com a mais pura e gratuita agressividade.
O inverno, a neve, a escuridão permanente são uma metáfora do nosso vazio. E se o sol surge ao final do filme não é para simbolizar o renascimento da vida, da primavera ou de qualquer outro escapismo - simboliza apenas
que somo índivíduos com poder de livre arbítrio. Que podemos fazer escolhas, partir para outra, levantar a cabeça e sacudir a poeira. Somos imperfeitos sim, erramos sim, mas a decisão cabe a nós, adultos nem tão crescidos, nem tão maduros. Mesmo que a opção seja a solidão e uma fita VHS vazia. E quem não tem mais o poder de escolha, pode sonhar, fantasiar, desejar por uma linda stripper. E morrer com um sorriso nos lábios.
http://buysound.solo.net/Private%20Public/21_Choices.mp3

13 de agosto de 2010

Da serie toda mulher eh bipolar: ou elas te adoram ou te detestam. A indiferenca nao faz parte do dicionario delas...

8 de agosto de 2010

11:00 Por favor para de me seguir, me esquece, não quero mais teus comentários, tweets e feeds. Prefiro ficar rodeada de flores a ter mais um wi-fi na minha vida.

7 de agosto de 2010

00:00 E vc disse: Cansei de ser levada a serio...cansei do afeto e flores brancas. Quero ser uma mulher objeto e sofrer por amor...
23:35 e pensar que me aliviei na tua raiva...e testei a tua solidão...desculpa se não te liguei mais...aquele beijo não dado, saudades deixou...
23:30 e pensar que fiz tudo pra te agradar...culpa minha nao saber descifrar teus sentimentos...me cutuca, por favor, se eu dormir...
De tanto viver entre quatro paredes, tornei a minha vida uma sub-locacao permanente...
De tanto brincar com os meus sentimentos, tornei-me um titere das minhas vontades...