21 de marzo de 2016

O Filho de Saul ou a sobrevivência hoje é manter o emprego



Se em Auschwitz, o desafio diário era conseguir mais um dia de vida custe o que custar (e para tanto servia ser ajudante dos Nazistas, agir de forma submissa, ser servil, violento e insensível, enganando os outros prisioneiros e colegas às portas das câmeras de gás, etc.), hoje trocamos esse dia de vida, de sobrevivência pela garantia de um emprego formal e conseguir pagar as contas no fim de mês.

Vale tudo. Da mais pura safadeza às mentiras deslavadas. Da covardia em usar os métodos de opressão das classes dominantes mesmo sendo parte da maioria oprimida. Do puxa-saquismo à puxação de tapete. Da fofoca à trapaça.

Guardada as devidas proporções, o trabalho, a empresa virou um campo de concentração. Somos compelidos a entregar o resultado, atingir as metas. Somos punidos e tratados como números. E a vida continua e tanto faz se não temos como enterrar os corpos (ou seriam pedaços de carne?) que deixamos para trás. Outros virão e tudo virará cinza.

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