12 de julio de 2009

Quando Hank Moody caiu de paraquedas em Paraty

Em meio ao caos urbano, o meu escapismo preferido é imaginar situações bizarras. E uma delas foi pensar em como Hank Moody (personagem de David Duchovny em Californication) reagiria frente a tanta badalação da mídia em torno da última FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty. Pois assim como eu, Charles Bukowsky e Plínio Marcos, Hank é do tipo que detesta encontros, bienais, feiras, festivais, vernisages, concertos etc, onde haja mais de um escritor ao mesmo tempo (a não ser que tenha open bar).
E com um copo de bourbon na mão, ficará obsessivamente se perguntando, será que os leitores brasileiros ainda não aprenderam que escritor que vale a pena não vai em tais eventos? E depois de mais um gole, dirá peremptoriamente: Escritor com "E" maiúsculo vomita toda vez que vê uma mesa redonda (e se for sobre o processo de criação literária, vomita em dobro).
Tanta bajulação em torno do autor de um romance, de uma novela, de um livro de contos ou de poesias é de duvidar, segundo Mr. Moody. Afinal o livro é nada mais, nada menos que um produto. Um produto cultural dentro do nada charmoso mercado de consumo globalizado que sofre um processo de customização mercadológica, tornando-o mais apreciado, mais desejado pelo leitor. Tal um filme, uma música, um vídeo ou uma peça de teatro. E o que mais lhe enoja nesse processo todo é ver tanto incauto cair na armadilha das editoras. Incautos que ficam em filas enormes para conseguir o autógrafo do mais novo autor pop star e se entopem de livros que irremediavelmente irão parar numa estante poeirenta.
Hank sabe por vivência e experiência própria, que o escritor - talentoso ou não - é um ser perturbado, problemático, egocentrico e egoista. Daí ele tentar colocar no papel o seu falso sentimento. E ver esses pseudo-escritores falando abobrinhas e o público todo alucinado, pagando para ouvi-las, é de matar.
Mas como adora repetir o Hank, a vida é uma permanente festa idiota à qual não fomos convidados. E já que estamos por aqui, andando pelas ruas empedradas de Paraty, só nos resta acabar com todo o estoque de destilado, mesmo que seja na companhia de Chico Buarque e Guy Talese.

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