19 de julio de 2015

Souvenir of China

Poderia deitar ao sol no meio da relva.
Sentir o barulho da multidão ao meu redor.
E mesmo assim haveria tristeza, 
um leve mal estar.

Poderia me arrastar como um cachorro 
no meio da merda dos outros 
e nada iria mudar.


Foram tantas vezes e tudo em vão. 

Tudo vezes nada. 
A beleza envelhece.
O irremediável acontece. 
E a noite vem junto com Júpiter e Plutão. 


Queria dizer tanta coisa.

Mas sentimentos alheios trazem desconforto.
Queria fazer tanta coisa.
Mas remédios vencidos trazem doenças.


Cavalgo no meio da névoa.

Respiro confiança na forma de vento.
Vento norte e minuano.
E fico às cegas.


Trinta anos de silêncio contínuo.

O vazio tornou-se mais úmido.
E a visão da casa, da rua em pedaços 
virou pura nostalgia.

O verde e o cinza são mais que cores.
O vermelho - um pedaço de tecido.
Um souvenir vindo da China.
Sabores estranhos. Gosto maldito.
Erros grosseiros e metáforas tontas.

Saudade pouca é bobagem.
Tentar de novo é loucura.
Escrever poesia não tem fim.
Morar no interior dá desespero.


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