4 de abril de 2014

Pensou ter visto um olhar sincero


Sucessivamente distante e ao mesmo tempo tão perto - decidiu cair de amores pela primeira pessoa que passasse na rua - justo ele que adorava gatos - o corrosivo cheiro de urina fez que tudo fosse esquecido (acordou entre amores - sem saber o sentido - da vida - da existência) - pensou ter visto um olhar sincero - ledo engano - era de ódio - e sentindo-se aleijado e descontente - posou nu para o lambe-lambe da praça - perdido entre aspas e fiel condutor da existência alheia - pensou ter visto a luz no fim do túnel - mais uma vez - estava errado - não havia luz - apenas indiferença - e entre quatro paredes tortas - desenhou seu corpo estirado no chão - cedo - muito cedo - viu-se no espelho novamente - e pensou se estaria ainda perdido - sem pé nem cabeça - como este texto alucinado de sexta à noite - enquanto fuma - divaga - escreve - e ouve o som da partida - da luz inquieta - de cerdos voando - de ninfas e suas tatuagens escandalosas - de pés pequenos que pregam o amor eterno - de um adeus sincero - de uma palavra amiga - de pensamentos difusos e inquietos - de conselhos lidos no jornal de domingo e de bate pronto - acaba tudo - e se masturba.

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