24 de agosto de 2013

Las Chicas de Miraflores

Lembro como se fosse ontem. Pouco mais de 15 anos, sentado numa praça de Miraflores. Mirava "las chicas" saindo da escola. Todas em lindos uniformes: blusa branca, saia xadrez e sapatos impecáveis (zapatos de charol). Pequenos objetos de desejo separado pelo imenso fosso das classes sociais. E mesmo sendo de pele branca, elas não teriam olhos para um visível morador da periferia de Lima. Talvez se fosse menos tímido, talvez. Poderia contar que já era um estudante universitário e que conseguia assistir a filmes para maiores de dezoito. Mas havia tanto desconforto dentro de mim que vivia a mentir sobre o bairro onde morava e mentia e exagerava na idade. Frequentar a faculdade em idade tão terna era, por um lado, uma proeza e tanto. Por outro, não era fácil conviver com tanta diversidade, machismo e crueza.

Mas aqui entre nós, mudando de assunto, se você me permite, o vazio continua o mesmo. Se há imberbes que pensam que o Exército lhes tornou homens - eu penso que foi o observar, a ausência, a distância, a rejeição - que me fez aquilo que eu sou.
"Las palabras no me salen más en español", as lágrimas teimam em fugir e nada mais me fascina, nada mais me atrai, nem me seduz. 
Soledad y Olvido, era os nomes das duas meninas que pararam e me convidaram a dançar. No meio de tantos, elas escolheram por mim. E eu disse não. 
Sou travado - já me disseram. E poderia até concordar se houvesse algo dentro de mim ou algum, pelo menos algum amor verdadeiro.
Sou um doente mental - e de fato devo sê-lo, pois para gostar de você só doente mental mesmo.


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