7 de junio de 2009

David Lynch e seu universo muito particular

Li num passado não tão recente de que há cineastas que criam o seu próprio universo particular, cineastas do tipo de um Tarkovsky, Antonioni e Lynch, entre outros. E reforcei tal premissa assistindo semana passada quase sem querer o filme Mulholland Drive (Cidades dos Sonhos - 2001) no TeleCineCult. 
O clima de estranhamento, de mistério, de realidade que se revela ilusão, é de uma preciosidade equivalente a Veludo Azul (Blue Velvet - 1986). Lembro ter assistido a este último numa sessão dupla num cinema decadente da velha Barcelona. E se algum dia pensei em escrever sobre cinema, o desejo nasceu naquela noite. Que fantasia arrebatadora, que personagens bizarros, e a trilha sonora insuperável. Quem -daqueles que curtem o verdadeiro cinema - não há de lembrar da orelha decepada infestada de formigas? Quem não teve pesadelos ou ficou excitado só de lembrar a performance de Isabella Rosellini? Pois bem, tudo isso e muito mais, você pode conferir em Muholland Drive: Naomi Watts e Laura Harring às lágrimas, nuas, sofrendo e sendo feridas no universo muito particular de DL.
Mas como falar de DL sem mencionar um filme mais recente, Inland Empire (Império dos Sonhos - 2006).  Se tudo aquilo que escrevi acima é basicamente uma rasgação de seda, uma tietagem explícita; imaginem a minha frustração, o meu desalento após ter visto um filme tão sorumbático e perdido no seu próprio simbolismo. Se em Veludo Azul e Mulholland Drive há vida intensa, sentimentos desesperados, em Inland há apenas a tentiva mal-sucedida de criar uma fábula moderna baseada em Alice no País das Maravilhas. Lento, inexplicávelmente lento, enfim uma perda de tempo que me fez repensar as minhas preferências.
Errar é humano e Inland foi um excesso e uma exceção. Nem sempre DL consegue nos cativar e introduzir no seu universo tão particular.
 
 

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