28 de diciembre de 2006

Na fila do Itaú III - Final

Última ida ao Banco. Último dia bancário. Nervoso o meu amigo entra na fila cheio de esperança. Lá na frente por trás do vidro, está o seu sonho de consumo. Minutos, longos minutos. A fila não anda. Um arremedo de surfista na frente. Uma mulher gorda atrás. O calor aumenta. Começa a suar e sentir-se mal. Um motoboy enfezado tenta passar na frente de todo mundo. Discussão. Gritaria. A fila anda. É a vez dele. Enjoado chega no caixa. Apenas 30cm de distância. Olha pra ela. Usa uma blusa vermelha e decotada. Sente seu cheiro tão próximo. Perfume adocicado. Fortemente adocicado. Perde a memória. A cabeça dói. Não lembra o motivo de estar aí. Ela dá sinais de impaciência. Fica agitada. Bate na mesinha com as unhas meticulosamente cuidadas. O estômago não suporta tanta pressão, tanto barulho. E de lá de dentro, um líquido quente e gosmento abre caminho pela boca. Espanto. Nojo. Mais gritaria. Ela, o sonho de consumo, a mulher mais bonita da cidade, jaz embaixo de uma meleca mal-cheirosa. Muito papel, muitos cheques e notas misturadas. Algumas moedas em volta. Alguns funcionários começam a xingar. O meu amigo sai e foge. E a felicidade vai junto. Talvez 2007. Talvez...

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